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jan 12 2015

Uma nerd no Esquadrão da Moda: análise e reflexão

Além de séries e filmes, existem outros tipos de programa que eu amo olhar, como os de culinária e tatuagem ( Kat Von D). Mas, confesso também que tenho uma fascinação por programas que fazem transformações, tanto “local” quanto especialmente, “pessoal/visual”. Sei que ver o antes e depois das coisas ou pessoas me deixa feliz, ver a reação das pessoas me deixa feliz. Acho que talvez esteja aí a resposta por eu gostar de moda e me encantar tanto pela área da beleza: o poder de transformação e a possibilidade de elevar a autoestima. ♥♥♥

Um dos meus preferidos é o What Not to Wear, que chegou ao Brasil com o nome de Esquadrão da Moda. Conheci o formato de programa pela versão americana, feita pelos ótimos Stacy London (ela tem uma mecha branca na parte frontal do cabelo que acho demais! Puro estilo! E acho meio bruxa também… hahah) e Clinton Kelly que apresentam o programa e ajudam a participante na parte dos looks junto com o cabeleireiro Nick Arrojo (nas primeiras seis temporadas) e a maquiadora Carmindy (Ela é ótima e lindíssima! Faz makes bem leves, simples e naturais. Foi com ela que descobri como é lindo usar o tom berinjela nos olhos.). Nunca cheguei a assistir a versão britânica do programa, que deu origem aos demais programas, mas li um dos livros escrito pelas apresentadoras.

Esquadrão da Moda_EUAA versão brasileira é feita pelo SBT e tem Isabella Fiorentino e Arlindo Grund como consultores e apresentadores, Rodrigo Cintra como cabeleireiro e Vanessa Rozan como maquiadora (amo a Vanessa! Um dia ainda faço uma aula com ela no Liceu! ). Acho essa versão mais “fraquinha” e um tanto forçada, não me passa muita emoção ou muitos ensinamentos não (em parte acho que é culpa da edição do programa, acho muito corrido, fica raso. Não envolve e contextualiza pouco. Se preocupam em fazer “piada”.)… Na maioria das vezes acho tudo superficial, sem alma, muito certo e errado, sem adaptações e flexibilidade.

Esquadrão da Moda_BrasilMesmo não sendo perfeito, gosto de olhar. Se estou com tempo e apenas a tv aberta como opção, é ele que eu vejo. O sábado retrasado (06/01/2015) foi um desses dias, e pra minha surpresa a participante era uma menina nerd, que andava por aí em seu dia a dia com orelhinhas e roupas de cosplay. Óbvio que a minha expectativa que já era baixa caiu mais ainda, e no começo do programa eu só conseguia sentir pena da menina, pena do que fariam com ela. Mas, fui surpreendida positivamente, e acabei achando o programa no geral, bom. Abaixo explico melhor o por que e se quiser assistir ao programa, que na verdade foi reprise, está disponível no site do SBT.

Entenda o caso:
Luana Freire, 24 anos, nerd. Gosta de ser diferente e fora do padrão, por isso usa suas roupas de cosplay em seu dia a dia. Com direito a orelhinhas, tules, babados e saias super rodadas. A situação piora, pois Luana está prestes a começar em seu primeiro emprego, e seu “estilo infantil” não combina com o ambiente profissional…

Esquadrão da Moda_01estilo: não eram só as roupas, Luana era totalmente fofa mesmo. Meiga, divertida e com uma boa dose de fantasia (não só no armário, se é que me entendem…). Achei legal que eles trouxeram essas características pras peças sugeridas. Tipo, uma camiseta com estampa lúdica pra imprimir seus gostos (ok, era de besouro e faltou eles pesquisarem sobre o que ela gosta e sugerirem algo mais verdadeiro. Então, leia-se “camiseta com estampa de anime, mangá, filme, livro, hq…); sapatilhas “ricas” com bichinho para substituir o sapato boneca (que é difícil de valorizar a pessoa/look e fácil de ficar careta) e a “felinidade” das tiaras de orelhinhas; blusa rendada elegante para substituir as rendinhas dos seus vestidos e saias lolita;  saia levemente rodada para lembrar as suas super rodadas e golinha Peter Pan no melhor estilo boneca, quase Vandinha Addams. Até sugeriram que ela usasse na balada tiara de orelhinhas pretas rendadas (visual divertido mas adulto e sexy) ao invés das suas de pelúcia.

Esquadrão da Moda_02lojas escolhidas: as lojas escolhidas para as compras seguiram esse estilo da Luana. A Luigi Bertolli sempre tem peças mais lúdicas, com estampas legaizinhas e detalhes bordados (E o preço é amigo! Então rola de a gente comprar lá também!). A American Apparel que tem roupas jovens e descoladas. A Santa Lolla sempre tem sapatos mais delicados, divertidos e cheios de detalhes. Já a essência da Laundry (Tive a oportunidade de visitar a loja em uma ida minha a SP há anos atrás e as duas peças que comprei lá são meus xodós até hoje.) é retrô e tem uma pegada alternativa, mas as peças são de qualidade, com bons materiais e boa modelagem. Achei muito legal esse cuidado, de não levar a menina pra fazer compras em butiques e lojas “genéricas”.

Esquadrão da Moda_03beleza: achei legal que mantiveram mais ou menos a cor do cabelo dela e que seguiram essa coisa “boneca” na maquiagem, com bastante foco nos cílios.

Esquadrão da Moda_04biótipo x estilo: esse foi o ponto alto, o que me fez ficar feliz! Eles levaram em conta o seu estilo romântico e o colocaram acima do seu biótipo. Por mais que saia rodada não seja a melhor escolha para o biótipo da Luana, eles escolheram os modelos “menos piores” com detalhes valorizadores e disfarçadores e combinaram com peças mais “corretas”, que no final valorizassem a participante mas que continuasse sendo “ela”. Era isso que eu sentia falta! Dessa flexibilidade, de adaptar o estilo ao biótipo, de não anular a personalidade da pessoa.

Fórmula do sucesso: estilo + personalidade > biótipo

Esquadrão da Moda_05

Acho triste quando as pessoas se privam das coisas por que escutaram ou leram que era errado. Gorda de branco? Misturar estampas? Baixinha de saia midi? Usar a mesma cor da roupa na maquiagem? A teoria é importante, são regras que ajudam a tornar as coisas mais harmoniosas, mas na prática mesmo, a coisa é triste e vazia se seguida à risca. Falo isso com um pouco de propriedade (sou formada pelo Senac em Personal Stylist e em Maquiagem) e conhecendo as regras básicas e o círculo cromático, identificando o biótipo junto com as suas qualidades e defeitos e conhecendo o estilo, é possível sim fazer adaptações. Não se pode esquecer que estamos tratando de pessoas e não manequins. A identidade deve ser mais importante que o “certo”.
Vocês já pararam pra pensar no quanto a beleza é relativa? O meu conceito de “belo” pode ser diferente do teu. E isso é o máximo, pois nos diferencia um do outro, mas ao mesmo tempo pode nos igualar (é aí que nascem as tais “tribos”). Complexo né? Vale a reflexão e pensar mais uma vez antes de fazer qualquer crítica sobre o que é “feio”.
Ainda nessa linha, indico a leitura desse post do Moda de Subculturas, que faz uma reflexão boa entre o estilo alternativo x programas de transformações.

Mas e aí, o que acham disso tudo? Gostam de programas assim? Concordam? Gostaram da transformação da Luana? Como tu lida com as regras x teus gostos? Já sofreu algum tipo de preconceito? Conta pra mim.

Ahhh, uma curiosidade:

A atriz Mayim Bialik (a Amy de The Big Bang Theory e eterna Blossom) já participou do What Not to Wear americano. Legal né? Olha o antes e depois dela:

What Not to Wear Mayim Bialik_01

 

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2 comentários

1 menção

  1. Ticiana

    No dia 29/08 vai ter outra nerd no programa tbm 🙂

    1. Natália Gerhard

      Oba! Obrigada por avisar, vou me programar pra ver!! 😀
      Mas Ticiana, fiquei curiosa aqui, a nerd em questão é você?
      Um beijo

  1. As coleções “belezísticas” de Cinderela + a banalização das estreias - Vogeek: o mundo fashion com um olhar geek.

    […] princesas favoritas, pois tem toda aquela coisa de transformação (que falei que adoro nesse post aqui), algo “Esquadrão da Moda” versão fada madrinha, sem contar que a história também tem como […]

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